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Artigos principalmente sobre Psicologia Clínica de Orientação Analítica e Psicanálise.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

“O mundo das possibilidades infinito-limitadas…”



A “pseudo-auto-impossibilitação” da visualização de expectativas de materialização futura de alternativas ao padrão circundante, vicioso e viciante, tantas vezes fruto repetido época após época de colheita, alimento relacional restrito e restritivo, vindo da semente de sempre, cuidado por essa gente, que lhe espera o fruto maduro… e se o fruto não chega?

Sem divagações, todas elas necessárias à prescrição de outras tantas mais que acções, todas elas imposto clivado pelo servo desenfreado da jaula materna…

“O que não vejo para mim, não o conseguirei alcançar (?) …”

Fatalismo, ora entorpecido ora vivo, da visão turva ou mais ou menos “hiper-focalizada”, “para ver o que vejo agora, outras tantas coisas a minha visão me impede de ver…”.

A redução realista (?) à “auto-limitação natural”…

Não, não será também só noutro mundo que as possibilidades (alternativas) poderão ser infinitas, se elas forem congruentes com a “verdade” de elas próprias serem um pouco das duas coisas (e mais duma que doutra dependendo das “situações”?): a percepção não clivada, onde a aceitação do significado da existência simultânea do limitado e do infinito, produz mais que um mero sentido mental impraticável.

Entre ter-se acesso a essa informação, quase consciente e tanto mais pertencente ao outro que a envolve (o inconsciente), e a incapacidade natural de controlo real da mesma, existe um conjunto de ditames que poderiam perfeitamente pesar para um dos lados do “objecto” clivado (como se só dois lados ou dimensões existissem? … ou serão todos eles o mesmo, um só?). Ou seja, o elemento “pré-teórico” apesar de ter um maior peso real tem um menor peso percebido (?) …

O que é notório é que na prática a dimensão “teórica” é tantas vezes “auto-realçada” como a mais influente em todo o processo vital, quando ela está sobredimensionada, sendo subjugada à que verdadeiramente é detentora do poder vital de acção e de “inacção”.

Já para não falar falando, da dinâmica incontornável, incontrolável, imparável, que é a própria existência da dinâmica em si, em tudo, em todos, e sob todas as formas e perspectivas e não “pseudo-perspectivas”… Eu sei (?), mais um reducionismo clivado pela perspectiva “teórica”, uma “pseudo-perspectiva”?

Já que é tantas vezes forçoso que se clive para decidir em função da acção ou fantasia de acção, pelo menos que se clive pela forma que nos dá mais jeito, cujo proveito seja o mais benéfico para nós, dentro do que de salutar de nós esperamos (e/ou do que esperam de nós?).

No fundo o mundo das possibilidades é limitado pelas decisões que tomamos (no campo da tomada de decisão), ao escolhermos uma deixamos que outra se torne possível, e deterioramos a possibilidade de outras serem sequer hipóteses.

Antes de decidir, são limitadas pelo infinito e pela conjuntura das condições limitativas do próprio e do meio, e ainda pela percepção dessa limitações, e também pela focalização num dos lados… esperem, eu não disse que não havia lados?

Ou então, redundância atrás de outra, vim parar ao mesmo sítio em que estava no princípio: “o mundo das possibilidades infinito-limitadas”.

Porquê procurar o equilíbrio se o desequilíbrio também é homeostase?


Crónicas da Mente Esquecida, por João Castanheira
in Jornal de Albergaria, 12/02/2008

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

“Procuro iluminar-me no escuro, quando já nem a luz consigo desejar… (outra vida?)”


Não haverá muito tempo para discussões quando a emergência suplanta a dúvida razoável, a limitação que já existia torna-se escandalosamente maior, de um segundo para o outro, entre a vida em pleno sofrimento do segundo anterior e a expectativa do seu desaparecimento total e aniquilante no segundo que se segue…

Que sofrimento é esse não mensurável que ao mesmo tempo sugere ser dimensionado de intolerável, insuportável, incontornável, incompreensível, cuja solução aponta para hipóteses de finitude infinita, onde as ditas alternativas também infinitas não conseguem atrair nem o sentimento, nem o pensamento, nem o desejo de acção inactiva, do ser que não deseja “mais” do que a própria vida que deseja e que não consegue visualizar esse desejo (nesse momento)… Desejar a morte, não é desejar morrer, é desejar (continuar?) a vida de uma outra forma que não aquela que o fez desejar morrer (ou retirar-se daquela vida)…

(Um) (d)O(s) problema(s) está muitas vezes na incapacidade momentânea de desejar, expectar, imaginar, visualizar uma vida que não faça desejar àquele ser a sua própria morte: a incapacidade de sonhar ou a fixação no pesadelo(?).

A solução final, “(col)matante”, culminante, quando pretende ser a luz para iluminar a solidão, será o resultado mais escuro que a própria escuridão(?), como matar a solidão com o totalitarismo representativo da própria imensidão humanamente inatingível que ela representa?

Pois não… Não tem que fazer sentido, se o poder impulsivo estiver imbuído de expectativas de conclusão, de um final, qualquer que ele seja, um que seja “apenas” melhor que o sentimento do “segundo anterior”, nem que para isso o “segundo seguinte” seja a inexistência do ser…

Mas isso, não pode deixar de ser uma realidade enviusada, reducionista, nem diria propriamente distorcida, diria mais incompleta, aquela visão que não se dispõe a ver mais do que aquilo que a própria visão nem vê… De facto, querer morrer pela morte, não será “apenas” querer outra vida?


Crónicas da Mente Esquecida, por João Castanheira
in Jornal de Albergaria, 29/01/2008

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

“Esperança…”



Tenho tido algum feed-back de algumas das minhas crónicas, de pessoas reais, com problemas compatíveis com os descritos, pessoas que se revêem e que choram pela sua condição.

Quero dizer aqui, publicamente, a essas pessoas, e àquelas outras que não se revelam, mas que de formas semelhantes têm vindo a sentir as palavras que vou escrevendo por aqui, que o conjunto das minhas intencionalidades é em grande parte a elas dirigido. Isto é, a pretensão não é de modo algum desregular, desmotivar, descaracterizar, des-qualquer-coisa, mas sim ir demonstrando, à imagem das suas idiossincráticas interpretações das minhas palavras, que não estão assim tão sós nas batalhas interiores (e outras) que possam estar agora a travar, que muitas vezes (não todas) só através do contacto com a sua própria realidade é que possivelmente poderão adquirir posteriormente a esperança para a resolução ou amenização patológica (se não confrontarem a existência de um problema como o vão solucionar?), que é possível (embora muitas vezes com enorme custo pessoal) que o lado vencedor no final da guerra sejam vocês e não a doença (quando ela existe)…

Estas palavras de hoje, não pretendem ser meros adereços ou pendericalhos sem sentido, mas também não têm a intenção de ser mais do que vocês lhes possam significar.

A virtude e riqueza das vossas palavras (significados) não está no Português em si, está na vossa implementação dos conceitos que lhes atribuem: o que significa para vocês “esperança”?


Crónicas da Mente Esquecida, por João Castanheira
in Jornal de Albergaria, 15/01/2008

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Boas Festas


Desejo a todos um FELIZ NATAL e um BOM ANO NOVO!

Tudo de bom,
João Castanheira.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

“Ainda não...”


…(mais) um pequeno relato arredondado à confidencialidade assertiva…



“Ainda não foi desta que tudo se tornou mais claro e límpido na minha cabeça, por muito que tivesse anteriormente tentado fazer com que a minha vida não dependesse desse passado que me atormenta, parece-me cada vez mais obscura essa perseguição de mim para mim…”

“Cada vez mais acredito que não é o melhor caminho aquele em que dou passos de esquecimento infrutífero, e o pior é que na outra estrada, aquela que me dita uma realidade integrada, uma realidade que continuo a desejar não ter existido, aquela que é a que se parece cada vez mais verdadeira, é também a que me impede de prosseguir para uma outra que embora seja a mesma que a primeira, não me parece de todo poder ser compatível na minha atormentada cabeça…”

“Ainda me custa muito sequer poder pensar em aceitar, e dizê-lo em voz alta, o que me aconteceu… tenho medo do que possa acontecer, do que possa vir a voltar a fazer se o admitir…”

“Se ao menos fosse possível esquecer e pronto…”

“Acha que é possível que tenha andado todos estes anos a omitir de mim o que aconteceu?”

“Eu até a mim minto…”

“Quanto mais me sinto perto de conseguir me encontrar, mais me dói por todos os lados, menos me dá vontade de me mexer… continuo a achar que mesmo que grite como gritei ninguém me vai ouvir, ninguém me vai salvar… naquele dia… como foi possível deixarem que aquilo me acontecesse?... e pior, como foi possível deixarem que acontecesse mais que uma vez?...”

“Ainda não consigo confiar nas pessoas… e ainda não sei se algum dia vou sequer perceber o que isso pode vir a significar…”

Crónicas da Mente Esquecida, por João Castanheira
in Jornal de Albergaria, 04/12/2007