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Artigos principalmente sobre Psicologia Clínica de Orientação Analítica e Psicanálise.

terça-feira, 1 de julho de 2008

"Escola a quanto (o)brigas."


in Diário de Aveiro, 01/07/2008

quinta-feira, 26 de junho de 2008

“O Reconhecimento Parental?”



Será de todo imprescindível que os objectos parentais (paterno/materno), ou os seus semelhantes significativos, não descurem na relação com os seus filhos a preservação do reconhecimento audível e visível, sem (ou quase sem) abstraccionismos comunicacionais ou subjectividades latentes, com o mínimo de distorções, deformações e ruídos perturbadores, para que a continuidade do vínculo não integre em demasia comprometimentos presentes e futuros, numa relação que se quer tão genuína quanto profunda, ao invés daquela tão falsa quanto superficial (?).

E as verdades que se escondem por trás de uma percepção de verdade, que se pensa que se transmite, mas que no fundo o receptor não adivinha, não sabe, e pode ficar numa razoável e permanente dúvida confusional na tentativa interpretativa de compreender mensagens claramente dúbias, com entrelinhas maiores e mais valoradas que as próprias linhas, um verdadeiro caos relacional fomentado pela dispersão entre o que um pensa que diz e o que o outro pensa que ouve.

Aliado a este sistema psicotóxico relacional poderá vir a criação de um falso self relacional, se bem que é nesse falso self que reside toda a interacção relacional que passa assim a caracterizar aquela que é a verdade da relação, ou seja, o que foi criado na base da insegurança, da dúvida, da incerteza, do confuso, do disperso, do indirecto, do subjectivo, do abstracto, poderá vir a ser a forma exclusiva da relação funcionar, sendo a relação verdadeira ainda que fundamentada em princípios de inexistência ou falsidade.

Este padrão relacional de indução de dúvida permanente, pode por exemplo implicar a incapacidade do principal elemento indutor (objecto parental) em lidar com aquilo que não diz claramente, cujas motivações podem ser erroneamente (re)dirigidas ao alvo da indução (filhos) num sentido pseudo-protector de um mundo demasiado agressivo/aversivo para poder ser visto ou sentido pelos seus descendentes, quando na verdade a evasão dissociativa da realidade começa naquele que não quer que os outros a vejam ou a sintam. Normalmente, esse mundo agressivo e/ou essa realidade evadida dissociativamente é nada mais nada menos que a própria intra-realidade do objecto parental, e também a realidade externa ao objecto parental na forma como ele a percepciona.

(A tentativa de?) Mostrar sinais sem lhes atribuir um significado, implica que o receptor o faça, mal ou bem.


Crónicas da Mente Esquecida, por João Castanheira
in Jornal de Albergaria, 24/06/2008

segunda-feira, 2 de junho de 2008

«Bullying» abordado em tertúlia no Dia da Criança - Violência nas escolas «pode resultar em suicídio»




O grupo local de Aveiro da Amnistia Internacional pro­moveu, ontem, no Hotel Moli­ceiro, uma tertúlia sobre Bullying (violência escolar), a propósito da comemoração do Dia Mundial da Criança. A intervir estiveram o psicólogo clínico João Castanheira e um representante da Associação Consensus, que desenvolve tra­balho na área da Violência nas Escolas e Mediação Escolar.
O Diário de Aveiro falou com João Castanheira, no senti­do de saber o nível actual de
ocorrências do fenómeno, como se manifesta, e se as esco­las sabem lidar com a situação. De acordo com este psicólogo, apesar de o conceito de Bullying ser relativamente recente, «já existe há muito tempo; há casos muito anti­gos», defendendo que a solução não deverá passar pela inter­venção política.
João Castanheira afirma que «não se deve negligenciar a víti­ma», alertando para a impor­tância de «nos focarmos no agressor, com uma intervenção de fundo a nível terapêutico». «Eles próprios são vítimas antes de serem agressores, ten­tando deixar de ser minimiza­dos, inferiorizando os outros», explica, acrescentando o tipo de «agressor vítima, que res­ponde à agressão».
Actualmente, e de acordo com o psicólogo, as agressões verbais e a humilhação adquirem tanto peso como a agressão física, sen­do que a principal característica do fenómeno se prende com o seu «carácter de permanência, que pode ter como resultado extremo o suicídio».
Segundo João Castanheira, e baseando-se em estudos já efec­tuados, «existem crianças com predisposição para ser vítimas, pelas suas próprias características», das quais destaca a fragili­dade e a tendência para a depressão. «Os agressores e as vítimas têm características muito semelhantes; têm é uma forma completamente diferen­te de lidar com elas», revela.
No que respeita à sua opinião sobre se as escolas sabem como gerir o problema, João Castanhei­ra não hesita em responder que não, acreditando estarem a pre­parar-se nesse sentido, «princi­palmente a nível informativo». «É uma situação que se verifica, sobretudo, nos recreios, onde as crianças têm liberdade para parti­lhar uns com os outros; não há supervisão, senão entre elas pró­prias». Na sua opinião, a solução não passará pela anulação desta socialização interpares.
De acordo com os estudos mais recentes, o fenómeno está presente por todo o país, inde­pendentemente da região, sen­do que «quanto mais novas são as crianças, mais envolvidas estão», com maior incidência no sexo masculino.»


por Carla Real,
in Diário de Aveiro, 02/05/2008

quinta-feira, 29 de maio de 2008

“Por trás do corpo que avisto…”


Silhueta recortada em folha de papel, mostram-se em linhas os contornos da pele, permitem diferir o quão imagética distorcida há nessa realidade construída, e o quanto ela serve perfeitamente para esconder ainda mais fundo uma dor tão distinta dessa que se quer fazer demonstrar através do corpo “auto-deformado”.

Pode até parecer que não, a uma primeira e quem sabe segunda e terceira vista, que a dor posta no “concreto” de um corpo (não) corresponde a uma idealização qualquer, que é uma dor menor, ou melhor, é uma dor transformada, re-integrada, re-interpretada, uma bem mais suportável que aquela que realmente propulsiona, desencadeia, encadeia, o aparecimento dessas ditas perturbações do foro alimentar.

É demasiadas vezes “mais fácil” lidar com uma perturbação que tende para o palpável, do que lidar com aquilo que já nem se sabe bem o que é, o que foi e o que irá ser. Mas, a isso acresce um problema, o problema de se tentar apenas lidar com a sintomatologia considerando que essa sintomatologia é o problema em si, quando ela é apenas um dos resultados consequentes do real nível problemático. Assim, além de se desconsiderar o problema fundamental, ainda se corrobora com a distorção problemática que a pessoa de forma inconsciente elaborou para tornar “mais fácil” a sua vida, ou será, menos difícil?

Mais directamente, e para que não fiquem dúvidas, venho aqui afirmar algo que pretendo clarificar, que nem sempre as perturbações são aquilo que parecem à partida, e que muitas vezes são confundidos os sintomas com a doença, e um exemplo disso são as designadas perturbações do comportamento alimentar, que são o resultado sintomatológico de um quadro patogénico (prévio) e não a patologia em si (podendo no entanto tornar-se uma patologia em co-morbilidade com a(s) que a originou(aram)).

Crónicas da Mente Esquecida, por João Castanheira
in Jornal de Albergaria, 28/05/2008

sábado, 3 de maio de 2008

“Na linha do umbigo…”



Não parece assim tão claro que a possibilidade legível da linha divisória entre essa saúde (normalidade?) e essa doença (patologia?) seja assim tão pouco ténue e tão pouco ambivalente quanto tantas vezes a querem fazer parecer. No decurso de um qualquer dia-a-dia profissional, extasiado por um nível de experiência real mas ilusória, alguém se dá ao luxo de se basear e de se reduzir ao seu mais natural sentido pragmático no exercício do seu ofício. O discernimento de alter encorpado por toda a conjuntura da visão perceptiva, do que ela foi, do que ela é, do que ela se deseja tornar, sendo ainda essa nas três condições proferidas apenas uma mesma integral que apenas funciona mediante um elemento temporal imediato, pseudo-espontâneo e imediatamente passageiro. Onde reside afinal a dinâmica da prioridade hierárquica da importância? “Narciso…” (?)

Com siso ou sorriso, com mais ou menos “Narciso”, a linha é sempre a mesma (?), daquele gigante maciço, o umbigo da espécie humana, aquele animal mamífero, a designada e auto proclamada “humanidade”, a regra implícita do “bem” comum, esse prol de si próprio(s) que a todos (co)move em massas repartidas e unitárias, entre auto-focalizações universais e auto-guiões idiossincráticos, juntos descobrimos que “a razão” não é razão em si mesma, que não é esse o sentido propulsor desta nossa pequena imensidão, se o sentido só sentindo se encontra… (?)

Para muitos estas letras poderão representar um enorme conjunto de portas fechadas, para tantos outros exactamente as mesmas portas abertas… Para outros ainda, as mesmas portas não passam de passagens sem esse obstáculo limitativo que abre e fecha… Para mim, todos têm razão no mesmo tempo, no mesmo contexto e com os mesmos objectos… Mas eu, não quero ter razão, mas reparem que “desejo” que encontrem a vossa… “Narciso…” (?) Porque haverão de existir portas sequer? Ou sequer razão?

Custa assim tanto admitir que “ela” na realidade não existe, existindo apenas um “sentimento de razão”? Será assim tão difícil perceber que por muito raciocínio que tenhamos não somos verdadeiramente racionais? Será que ainda não percebemos que “a razão” que podemos ter todos ao mesmo tempo sobre as mesmas coisas não se chama “razão” mas sim “emoção (ir)racional”? “Narciso…” (?)

“Serei eu movido pelas razões ou por razões emocionais?”

“Narciso…” (?)

“Pelas duas’? Por nenhuma?”

“Narciso…” (?)



Crónicas da Mente Esquecida, por João Castanheira
in Jornal de Albergaria, 29/04/2008