Bem vindo(a) ao PsicologiAveiro, o blog do ITAPA.
Artigos principalmente sobre Psicologia Clínica de Orientação Analítica e Psicanálise.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

“Folie à Deux.”

A “loucura” dos outros também pode ser a nossa “loucura” se não discernirmos que eles estão “loucos”.
Pareceria de óbvia facilidade a contestação da afirmação acima descrita, se ela não se referisse a uma Psicose Induzida. Este tipo de perturbação psicótica, ou de alienação patológica da realidade, surge no encalço secundário de doença, ou seja, é derivada de um elemento patológico primário com ideação delirante que consegue fazer crer a esse segundo (ou mais) elemento(s) que os seus delírios são realidade e não produto psicótico fictício.
Por outras palavras, uma pessoa pode ficar “louca” por acreditar que a “loucura” (delírio) de alguém não o é quando de facto não passa disso.
Esta perturbação reúne as condições necessárias para aparecer quando uma pessoa tem um relacionamento próximo, de longa duração e com níveis elevados de resistência à mudança, com uma outra pessoa que tem uma perturbação psicótica com predomínio de ideação delirante.
Dentro das relações tipo, enquadram-se mais facilmente os casais (ex. marido/ mulher) e as relações familiares (ex. pai/ filho), não querendo dizer que outros tantos tipos de relacionamentos não possam ter as características fundamentais para o desenvolvimento desta doença.
Os conteúdos das ideias delirantes dependem das características de cada doente (primário) e podem ser dos mais diversos, tais como, estar sob vigilância do “SIS”, “ET´s” terem entrado na sua mente controlando-a, existir uma guerra invisível que produz dores de cabeça e diarreia às pessoas, entre tantas outras ideias, tendencialmente bizarras.
O que pode acontecer, por exemplo, é o conteúdo da ideação delirante ser tão credível e bem elaborado que uma pessoa próxima e susceptível à sua influência forte e directa chegar a acreditar durante anos a fio que essas ideias são realidade, corroborando, vivenciando e partilhando assim a “loucura” primária do indutor.



Crónicas da Mente Esquecida, por João Castanheira
in Jornal de Albergaria, 15/05/2007

5 comentários:

Anónimo disse...

Será que a falta de comentários significa que (nos)atingiu a alguns?
É que esta "virtualidade" tem muito de real.
E eu gostei de ler.
Jolis

Standeuter disse...

Não sei se entendi muito bem o texto. Um louco próximo nos livra da loucura?

p☆tic☆ disse...

assisti um seriado americano, MENTA, em que esse tipo de "loucura" foi mostrado, de uma forma bem clar, é incrivel como uma pessoa pode se envolver no delirio de outra.

Área disse...

O que eu entendi Standeuter é que acreditar na loucura do outro faz com que ela não pareça loucura. Acabamos assimilando a ideação, compreendendo-a como verdade. E isso acaba reforçando a ideação original, uma vez que encontrou alguém que valide-a, e entramos assim em um círculo vicioso, onde um reforça a crença do outro.

Unknown disse...

Acabei de assistir um filme que me levou a pesquisar sobre isso. Estou impressionada. Nunca pensei que existisse isso. O filme por sinal é ótimo.