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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

“Como distinguir envelhecimento normal de demência?”

Existe alguma dificuldade natural na distinção do que são as características próprias de um “envelhecimento normal” e de uma “demência”. Mesmo entre os técnicos de saúde cuja competência se apropria a esse efeito, as dificuldades diagnósticas estão presentes. Ainda assim, proponho deixar algumas dicas tipo, no sentido da simplificação e alerta para os que rodeiam e convivem com pessoas propensas a este tipo de confusão de nomenclatura, e/ou confusão entre um tipo de normalidade e de patologia.
Assim, fazem parte das características tipo principais de “envelhecimento normal” o enlentecimento ou lentificação mental, uma diminuição da capacidade de retenção de informação nova, dificuldades para evocar nomes, diminuição da flexibilidade mental e a manutenção da linguagem e da memória remota.
Por outro lado, como características tipo principais de “demência” incluem-se um declínio das funções cognitivas em relação ao nível anterior (alteração e deterioro da memória para registar, armazenar e recuperar informação nova e perda de conteúdos referentes à família e passado; alteração e deterioro do pensamento e raciocínio com redução do fluxo de ideias e problemáticas atencionais, etc.), um défice significativo nas diversas áreas que permitem a execução de tarefas da vida diária (vestir, comer, etc.), “consciência clara” (excepto em alterações episódicas), e, estando esta sintomatologia presente durante pelo menos 6 meses.
Comparando o parágrafo referente às características de “envelhecimento normal” com o referente à “demência” parece certo que a linha de distinção entre os dois conceitos é bastante ténue e até um pouco ambígua. Baseado apenas na descrição anterior encontramos poucas diferenças, sendo que as principais e mais salientes referem que no “envelhecimento normal” mantêm-se a linguagem e a memória remota enquanto que na “demência” ambas estão em princípio sujeitas a alterações e/ou deterioro.
Mas, é necessário fazer perceber que de facto as diferenças vão-se fazendo notar cada vez mais em consonância com a evolução, fase e tipo de “demência”. Mesmo independentemente disso, uma “demência” tem em princípio características fortes e observáveis, tais como, alterações da linguagem, do movimento, da percepção e da execução que não devem estar (em princípio) presentes no “envelhecimento normal” (podendo no entanto estar presentes noutros tipos de patologia que não uma “demência”). Estas alterações levam quase necessariamente a uma alteração do padrão comportamental e relacional anteriores do indivíduo repercutindo-se na vida familiar, social e profissional.
Importa saber que se tem conhecimento de casos com características semelhantes ou parecidas com as aqui descritas, se deve dirigir a um dos 3 profissionais de saúde que são mutuamente necessários para lidar com este tipo de casos, ou seja, um Psicólogo, um Neurologista e um Neuroradiologista. Todos estes 3 profissionais são necessários para fazer um diagnóstico de “demência”, não estando nenhum deles “habilitado” a fazê-lo sozinho.
Já no que diz respeito ao seguimento e/ou tratamento no caso de diagnóstico positivo de “demência”, isso irá depender em grande parte do tipo de “demência” diagnosticada, assim como da fase e evolução da mesma. É neste sentido útil estar atento à sintomatologia indicada para que se possa acompanhar adequadamente o mais cedo possível estes casos, já que de uma forma geral quanto mais cedo for descoberta a patologia melhor será o prognóstico.
Crónicas da Mente Esquecida, por João Castanheira
in Jornal de Albergaria
, 09/01/2007

2 comentários:

insideout disse...

Muitas vezes as diferenças são muito poucas, e fáceis de induzir à confusão. Nem sempre se efectuam bons diagnósticos.
Parabéns pelo blog!

Anónimo disse...

Um artigo útil para muitos
dos profissionais de saúde
que lidam com os chamados
"idosos".
É que a realidade do seu comportamento em acção, às
vezes, parece induzir a demencia,
de tão "paternalista".
Jolis