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quinta-feira, 29 de maio de 2008

“Por trás do corpo que avisto…”


Silhueta recortada em folha de papel, mostram-se em linhas os contornos da pele, permitem diferir o quão imagética distorcida há nessa realidade construída, e o quanto ela serve perfeitamente para esconder ainda mais fundo uma dor tão distinta dessa que se quer fazer demonstrar através do corpo “auto-deformado”.

Pode até parecer que não, a uma primeira e quem sabe segunda e terceira vista, que a dor posta no “concreto” de um corpo (não) corresponde a uma idealização qualquer, que é uma dor menor, ou melhor, é uma dor transformada, re-integrada, re-interpretada, uma bem mais suportável que aquela que realmente propulsiona, desencadeia, encadeia, o aparecimento dessas ditas perturbações do foro alimentar.

É demasiadas vezes “mais fácil” lidar com uma perturbação que tende para o palpável, do que lidar com aquilo que já nem se sabe bem o que é, o que foi e o que irá ser. Mas, a isso acresce um problema, o problema de se tentar apenas lidar com a sintomatologia considerando que essa sintomatologia é o problema em si, quando ela é apenas um dos resultados consequentes do real nível problemático. Assim, além de se desconsiderar o problema fundamental, ainda se corrobora com a distorção problemática que a pessoa de forma inconsciente elaborou para tornar “mais fácil” a sua vida, ou será, menos difícil?

Mais directamente, e para que não fiquem dúvidas, venho aqui afirmar algo que pretendo clarificar, que nem sempre as perturbações são aquilo que parecem à partida, e que muitas vezes são confundidos os sintomas com a doença, e um exemplo disso são as designadas perturbações do comportamento alimentar, que são o resultado sintomatológico de um quadro patogénico (prévio) e não a patologia em si (podendo no entanto tornar-se uma patologia em co-morbilidade com a(s) que a originou(aram)).

Crónicas da Mente Esquecida, por João Castanheira
in Jornal de Albergaria, 28/05/2008

2 comentários:

Anónimo disse...
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